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29 de mai. de 2013

Factoides duram pouco


A cada dia fica mais claro a quantidade de mentiras usadas por Roseana Sarney e seus marqueteiros para que ela aumentasse as suas chances na eleição para governador em 2010. Cada dia é mais uma mentira que chega ao fim.

Para não cansar muito, vamos ver o que aconteceu com quatro delas, das mais importantes porque serviram para criar um discurso novo de que Roseana teria a confiança e apoio do governo federal e iria transformar o Maranhão em um estado de progresso, desenvolvimento, muito emprego e segurança para todos. Seria o melhor governo da vida dela. Isso, na verdade, não queria dizer nada porque os seus outros governos foram muito ruins. Mas, uma mentira leva a outra.

Como carro-chefe dos factoides, nada melhor do que um projeto gigantesco, capaz de fazer sonhar, pois com ele viriam centenas de milhares de empregos. Nada melhor que a refinaria Premium que a Petrobras faria aqui. A maior do mundo, repetiam sem parar, e essa fantasia acabou por dar a ela a maior votação que ela obteve na capital, perto de 43% da votação, fundamental para a sua vitória. A refinaria, repetiam, daria emprego para todo mundo.

Outro anúncio mistificador e enganador, era a descoberta de gás em Capinzal, um lençol comparável em tamanho aos lençóis de gás da Bolívia, alardeavam e a governadora e o empresário Eike Batista, hoje bastante conhecido, convenciam a todos que com a intermediação de Roseana Sarney, tudo iria mudar.

Esses dois gigantescos projetos levaram ao terceiro factoide eleitoral o de que com Roseana no governo 400 mil empregos seriam criados no estado. Era o paraíso proporcionado pela ação da família benfeitora. E o trabalho insubstituível de Roseana Sarney.

E o quarto foi a promessa de que o crime estava com os dias contados no estado. Roseana Sarney dizia com enorme convicção que a partir de sua posse todos poderiam dormir de janela aberta, seguros e tranquilos, pois Roseana a guardiã, estaria velando pela segurança dos maranhenses.

Quase não dava certo tal o desgaste anterior dela e só não houve o segundo turno, que a derrotaria, por meros 2000 votos. Mas vamos ao que interessa. O que realmente aconteceu?

A refinaria só trouxe prejuízos. Empresários de todos os tamanhos investiram acreditando no projeto. Terrenos foram comprados, apartamentos foram construídos, pedreiras foram adquiridas, hotéis foram construídos em investimentos sem retorno até agora. Hoje as estatísticas de embarques e desembarques do aeroporto de São Luís, comparadas ao mesmo período do ano passado, mostram que houve uma diminuição de 150 mil passageiros. Quanto prejuízo deu a mentira e a irresponsabilidade aos que acreditaram nela. O gás de dimensões bolivianas, por seu turno, também não foi muito diferente. Não era verdade. Havia muito menos gás do que prometia a propaganda. Quem colocou a mentira por terra foi o governo federal que, semana passada, exigiu a conversão do projeto do empresário Eike Batista, em Santo Antônio dos Lopes, de gás natural, para operação com biocombustíveis – com óleo combustível também – após a companhia de Eike Batista ter apresentado, como garantia de suprimento volumes insuficientes de gás. Autoridades brasileiras concluíram que o volume de gás natural apresentado como suprimento da térmica Nova Venécia II em Santo Antônio dos Lopes no Maranhão não garantia o seu funcionamento na hipótese de seu uso integral durante todo o período de contratação da energia. Segundo o Ministério de Minas e Energia a MPX terá de arcar com os custos adicionais da mudança do projeto sem repassá-lo ao consumidor final.

A mentira não demorou muito, mais uma vez, mas Roseana se beneficiou dela para se eleger.

O estado prodígio com a criação de tanto emprego – 400 mil era o número prometido – virou uma tragédia, pois nem manter os empregos já criados consegue. A decadência atual em que mergulhou a economia do estado por força de um governo paralisado pela falta de projetos e pela falta de foco na solução dos nossos gargalos socioeconômicos, está conseguindo essa façanha. Isso em um momento em que quase todo o país cria empregos. O Maranhão empacado, paralisado em seu desejo de progresso e desenvolvimento, continua sem criar e, mais grave, perde empregos antes existentes. Só no mês de abril perdemos 736 empregos em relação ao mês anterior, que, por sua vez, também já tinha perdido empregos em relação ao mês anterior, e assim sucessivamente. E isso vem acontecendo mês após mês, desde meados de 2012, há quase um ano. Esses são dados oficiais do governo federal, do CAGED do Ministério do Trabalho. Impossível enganar mais.

E o quarto factoide eleitoral, o da segurança total? Bem esse virou piada. Nunca antes na história deste estado, se matou tanto, se roubou tanto, se traficou tanto como agora.

No Mapa da Violência 2013 publicado pelo jornal O Globo, o estado que apresentou maior variação na taxa de óbitos por arma de fogo a cada 100 mil habitantes, entre 2000 e 2010 foi o Pará, que teve uma taxa de crescimento do crime maior do que a do Maranhão. O campeão Pará teve uma variação 307,2% e o Maranhão aparece em segundo com 282,2%. Ou seja, se nada for feito o Maranhão em pouco tempo será o estado mais violento do Brasil. A realidade é tão diferente das promessas e enganações do governo de Roseana Sarney.

A polícia não tem apoio nenhum, e do orçamento estadual – para investimento e custeio que foi de R$ 2,4 bilhões em 2012 – a segurança pública teve apenas R$ 84 milhões enquanto a segurança privada na Secretaria de Educação gastou R$ 82 milhões. Na verdade, isso é um mistério completo por si só, e, por exemplo, a publicidade, prioridade maior desse governo gastou R$ 60 milhões. É quase mais importante do que a segurança pública. É de observar que a Secretaria de Educação gastou ao todo R$ 170 milhões dos quais R$ 82 milhões foi para “segurança privada”. Não é à toa que a educação está caindo pelas tabelas.

E para concluir, o contingente de policiais no Palácio dos Leões é de 200 policiais. Maior do que o número de policiais em serviço em mais de 97% dos municípios do Maranhão. Por quê?

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

16 de jan. de 2013


Por Zé Reinaldo Tavares

O ex-presidente Lula dizia ter recebido uma herança maldita de Fernando Henrique Cardoso. O que ele diria se recebesse o governo de Roseana Sarney, aqui no Maranhão, depois de 12 anos de governo dela?

Nem avalio, mas certamente seria impublicável.

O que diria se recebesse o estado sem ensino médio em 159 municípios?

O que diria se recebesse o estado com a maioria de seus municípios, inclusive a capital, sem abastecimento de água? Sobretudo considerando que São Luís já teve um dos melhores serviços de abastecimento de água entre todas as capitais do país?

O que diria se soubesse que todas as praias da capital estão poluídas porque não existe sistema de tratamento de esgoto funcionando e nem as duas estações de tratamento existentes funcionam mais?

O que diria se a antes, penúltima capital menos violenta do Brasil, conforme estatísticas da década de 2000, se transformasse na quinta mais violenta capital do país dez anos depois e hoje caminha para ficar entre as primeiríssimas, tal o avanço galopante do numero de crimes violentos e com mortes, que chegaram a quase 750 em 2012, muito mais que o recorde de 2011?

O que diria se soubesse que agora os jornalistas e repórteres não podem mais ter acesso aos livros de registro de mortes do IML e, que, agora só terão acesso a informações do próprio governo por intermédio de dados que serão disponibilidades na internet?

Será que estão pretendendo apresentar estatísticas mais convenientes ao governo, diminuindo artificialmente os números e fazendo crer que a violência diminuiu?

O que diria se soubesse que o contingente da Polícia Militar é menor a cada mês, pois cerca de 38 policiais militares se aposentam no período e o governo não contrata novos policiais para recuperar a força policial? Que hoje o Maranhão já está muito aquém do número de policiais por habitantes recomendados e que isso ajuda a explicar o grande número de crimes de todos os tipos que acontecem diariamente, apavorando a população?

O que diria do fato dos hospitais do estado fechado sem São Luís, como o Pan Diamante, e do desperdício de tantos elefantes brancos construídos sem nenhum critério em pequenos municípios, alguns até com helipontos, como mostrou o Profissão Repórter da Rede Globo, e grande parte deles às moscas pela política destrambelhada adotada pelo governo e notabilizada pela ausência de racionalidade e finalidade?

O que diria da tragédia do sistema público de educação do estado, que não consegue cumprir metas estipuladas como mínimas para serem alcançadas ano a ano e que a pior escola do país é do estado? E nenhuma entre as 300 melhores?

O que diria dos 72 por cento de analfabetos funcionais, índice que não permite ao estado quebrar as amarras da pobreza crônica?

O que diria do estado se notabilizar pelo fato da taxa de escolaridade de cerca de 6,3 anos que detém ser a menor do país?

O que diria do fato de sermos o estado com a maior taxa de analfabetismo do país, título nefasto que o Maranhão oligárquico ostenta?

O que diria se soubesse que o Maranhão, mesmo com toda a potencialidade e exuberância do estado, tem a menor renda per capita do país, que é de R$ 6.888,60, equivalente a 36 por cento da renda per capita nacional e 72 por cento da nordestina? E que esse valor é equivalente a apenas 1,1 salário mínimo?

O que diria se soubesse que somente 23 municípios do estado, onde vivem 1.710.256 habitantes, têm renda maior que a média estadual, entre eles a capital, e que 194 municípios com 4.859.397 habitantes têm renda per capita abaixo da média estadual? E que o valor da renda per capita dessa população é de apenas R$ 4.137,97, equivalente a 68 por cento do salário mínimo e 60 por cento da renda média do estado?

E o que diria se soubesse que 121 dos 194 municípios que estão abaixo da média estadual, a renda per capita é ainda menor, não chegando a 3 mil reais?

E para concluir, o que diria se soubesse que 3 milhões de pessoas, número equivalente a 44,8 por cento da população do estado, estão classificadas como socialmente excluídas?

Eu não sei o que Lula diria, mas sei que Roseana Sarney, a governadora do estado, não diz nada e nem faz nada contra a calamidade que sua administração está legando ao estado.

E você, o que diria?

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