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18 de mar. de 2013



O assunto mais comentado nas redes sociais neste domingo foi uma suposta intervenção na saúde pública de São Luís. Segundo o perfil da Revista Péssima no twitter, um dos microblogs mais influentes, bem informados do estado e que trouxe o assunto à tona, isto ocorreria por uma articulação do grupo político que comanda o governo do Estado.

“Diz que a ordem do chefão da oligarquia é buscar, via Ministério Público, a intervenção na rede municipal de saúde. Com a intervenção, os R$ 77 milhões da saúde do município que Roseana está de olho serviriam para manter os hospitais que estão sendo inaugurados no interior”, afirma. Ainda de acordo com o twitteiro, com o golpe “Sarney debilitaria a saúde do governo Edivaldo (…) e do povo de São Luís”.

Ricardo Murad seria o mentor da trama
para intervir na saúde de São Luís
Vale lembrar que a proposta da governadora Roseana Sarney, feita ao prefeito Edivaldo e que acabou sendo rejeitada, era que o município entregasse os R$ 77 milhões anuais do SUS para que o governo do Estado assumisse o controle do Socorrão.

No último dia 13, numa ação extemporânea e no mínimo estranha dada as melhorias que a secretaria de Saúde vem realizando nos Socorrões, o Conselho Estadual de Saúde e o Ministério Público do Maranhão fizeram uma vistoria nos Hospitais Socorrão I e II, unidades de saúde que prestam atendimento de urgência e emergência em São Luís. O objetivo era encontrar supostas irregularidades que serviriam de embasamento para uma medida mais enérgica, ou melhor, uma intervenção.

Coincidência ou orquestração? Tudo indica a segunda opção.

O secretário de Comunicação da Prefeitura de São Luís, Márcio Jerry, também comentou no twitter o assunto. Para ele, querem desmontar o SUS no Maranhão em nome da “pirotecnia eleitoreira de Ricardo Murad e Roseana Sarney”. “O alvo de Ricardo Murad não é só São Luís, mas todas as cidades com gestão plena… Absurdo completo. Total irresponsabilidade…”

O presidente da Embratur, Flávio Dino classificou a trama como mais um ato de perseguição à gestão municipal. “Por que não deixam o secretário Vinícius [Nina] trabalhar em paz na saúde de São Luís? Por que esse desespero em sabotar a prefeitura?”, protestou.

12 de mar. de 2013

Vinícius Nina anuncia reforma das principais unidades de saúde do município

Os hospitais municipais Djalma Marques (Socorrão I) e Clementino Moura (Socorrão II) vão ganhar, em curto espaço de tempo, 31 novos leitos, e o Hospital da Criança será totalmente reformado. Além disso, a Prefeitura de São Luís construirá cinco unidades de saúde e iniciará reforma de 16 outras unidades. O anúncio foi feito pelo secretário de Saúde, Vinícius Nina, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (11).

Na pauta, a avaliação dos primeiros 60 dias de gestão e as ações concretas que estão sendo implementadas para que haja melhora no atendimento médico à população. Os diretores do Socorrão I, Yglésio Moisés; e do Socorrão II, Ademar Bandeira, também participaram da coletiva.

A reforma e ampliação das principais unidades de saúde do município de São Luís serão possíveis com alocação de recursos do Governo Federal, emendas parlamentares e devida contrapartida do tesouro municipal.

“Dada à importância e necessidade de melhorarmos a assistência no município, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, numa ação concreta, buscou acelerar o processo de reforma das principais unidades de saúde do município”, disse Vinícius Nina, que ressaltou que as reformas devem acontecer no mais breve tempo possível.

Com as adequações previstas, o Socorrão I passará dos 12 para 23 leitos de UTI, enquanto que o Socorrão II será ampliado de 20 para 40 leitos UTI. Além da reforma estão previstas melhorias em setores de atendimento médico como aquisição de mais um aparelho de tomografia.

Todo o trabalho de reforma e ampliação será realizado em sintonia com a Secretaria de Obras e Serviços Públicos e a Secretaria de Urbanismo, que colocaram à disposição da Semus equipes técnicas. Todos esses projetos devem ser encaminhados ao Ministério da Saúde até 30 de março para que, após os ajustes regulares, as obras sejam iniciadas no mês de junho, conforme prevê o secretário Vinícius Nina.

SISTEMA DE RETAGUARDA
O secretário abordou o problema da falta de leito de retaguarda e a consequente superlotação nas unidades de saúde. No primeiro caso houve solução encaminhada em parte logo nos primeiros dias da atual administração, com a parceria estabelecida com o hospital da Santa Casa da Misericórdia. Haverá ainda investimento para mais 40 leitos de retaguarda na Santa Casa e outros 65 para as unidades de urgência e emergência da rede municipal.

Vinícius Nina apontou a traumatologia como a maior demanda de atendimento das duas unidades de urgência e emergência. Segundo avaliação do gestor, a ausência de atendimento para a especialidade no interior do estado contribui sobremaneira para elevar a pressão nos Socorrões na capital.

Durante a coletiva, Ademar Bandeira, diretor geral do Socorrão II desde a gestão passada, reforçou o novo momento no sistema de saúde do município. “Hoje, vejo medicamentos, materiais básicos que antes não tínhamos e profissionais. O cenário é outro, sinal de que a situação do Socorrão II está melhorando. A gestão (Edivaldo Holanda Júnior) tem a saúde como prioridade e os investimentos estão sendo realizados”, disse.

O compromisso da administração também foi ressaltado por Yglésio Moyses. “O Socorrão I realizou em fevereiro 7.555 atendimentos, 20% a mais que o mesmo período do ano passado. Esse número reflete a confiança da população nos nossos serviços e a melhoria do atendimento na unidade. Isto demonstra que a saúde é prioridade da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior”, acrescentou.

Ações realizadas e programas
- Tirar pacientes dos corredores dos Socorrões com ampliação de 105 leitos.

- Reforma e ampliação do Socorrão I e II e Hospital da Criança. O Socorrão I será reformado. No Socorrão II será reformado e ampliado com o aumento de 12 para 20 leitos de UTI e criação de mais leitos para uma enfermaria. Reforma total do Hospital da Criança com criação de centro cirúrgico e leito de UTI;

- Aquisição de novos equipamentos para as três unidades de urgência e emergência;
- Ampliação do número de ambulâncias do Samu, com mais quatro veículos;

- Garantia da pactuação para investimento pelo Ministério da Saúde em duas UPAS que funcionarão nos bairros do Cohatrac e Vila Esperança;

- Construção de cinco Unidades Básicas de Saúde e reforma de 16, construção de cinco pólos de academia da saúde com recursos federais e de emendas parlamentares, além do aumento da equipe de profissionais;

- Investimento na readequação de três CAP´s, incluindo infantil, álcool e drogas. Em processo de adesão ao projeto “Crack, é possível vencer” em parceria com o governo federal, trabalhando na implantação dos consultórios das ruas para proporcionar assistência aos usuários de drogas;

- Parceria com o governo federal para contratar 15 médicos do programa PROVAB, para atender nas unidades de saúde de atenção básica;

- Firmar parceria com as outras secretarias, ações sociais nas comunidades em situação de vulnerabilidade e não cobertas pela estratégia de saúde da família;

- Vacinações de cães e ratos foram realizadas e agenda de outra campanha para o dia 13 de abril.

9 de fev. de 2013


O vazamento de informações sobre a denúncia de venda de macas no Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I) pode atrapalhar as investigações da Polícia Civil sobre o caso. O inquérito, sigiloso e em processo de apuração, iniciou na segunda semana de janeiro, após denúncia da direção da unidade de saúde.

Segundo, o diretor-geral do Socorrão I, Yglésio Moyses, o Centro de Inteligência da Polícia Civil investiga o caso, que se encontra em fase avançada. “O procedimento tem total apoio da direção do hospital e trabalha em plena cooperação com a Polícia Civil. Não podemos divulgar informações pela confidenciabilidade, mas a polícia está ciente do caso", afirmou. O diretor também considera o vazamento negativo para o andamento das investigações.

O Centro de Inteligência da Polícia Civil, responsável pelo inquérito, já traçou a linha de investigação, alvos e procedimentos que serão tomados para o caso.

Ouvido pela reportagem um dos agentes da equipe afirmou que o vazamento de informações prejudica totalmente as investigações. “As informações podem ter sido vazadas a partir de denúncias de pacientes insatisfeitos com esse tipo de procedimento, que procuram os meios de comunicação para reclamar”, disse o agente policial, que preferiu não se identificar.

Informações
As informações vazadas apontam a suspeita de que funcionários do Socorrão I estariam cobrando valores em dinheiro a pacientes para conseguirem vagas na unidade de saúde.

Sobre a veracidade do fato, a direção do hospital reitera que repudia esse tipo de comportamento e afirma que tem movido esforços no sentido de apurar o caso, bem como punir quem praticar tal desvio de conduta.
A direção do Socorrão I ainda ressalta que segue princípios éticos e morais, os quais são intrínsecos e necessários ao bom funcionamento da Administração Pública.

19 de jan. de 2013


 “O Maranhão não suportava mais nem queria o contraste de suas terras férteis, seus vales úmidos, seus babaçuais ondulantes , de suas fabulosas riquezas (…) com a miséria, com a angústia, com a fome, com o desespero…”

Em 1966, o então jovem de 36 anos José Sarney, eleito governador , empolgava o Maranhão com um discurso de posse literariamente contundente, cheio de palavras ásperas, prometendo colocar um fim na miséria e na corrupção que assolavam o Estado.

Ele prometia “mudar a face do Maranhão” e o povo, entusiasmado, aplaudia.

Quem quiser se emocionar com o discurso e com as imagens da pobreza do Estado cuja redenção se iniciava naquela posse, pode entrar no Youtube e digitar:“Maranhão 1966, documentário de Glauber Rocha”, e verá, em pouco mais de 8 minutos, um dos documentos mais chocantes já produzidos sobre a realidade política do País, dirigido pelo talento nascente daquele que viria a ser o mais mítico dos nossos cineastas.

Como poderia imaginar o jovem gênio do cinema que se vivo estivesse, agora, 47 anos depois da posse do governador Sarney, seria possível repetir o documentário com o mesmo roteiro de pobreza e miséria que aquele derramado discurso de posse prometia combater e eliminar.

O Maranhão é hoje, 47 anos depois do início do domínio da oligarquia Sarney, o penúltimo estado no Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, superado apenas pelo tenebroso estado de Alagoas, que já foi comandado também por um ex-presidente da República.

Uma semana atrás, o médico diretor de um hospital público do Maranhão, apelidado de Socorrão I, apareceu num programa de televisão e escreveu no Facebook pedindo à população que doasse alimentos e produtos de limpeza para que o hospital pudesse continuar funcionando.

O hospital é municipal, comporta 128 pacientes mas tem 216 internados, e o descalabro em que está é atribuído ao ex-prefeito João Castelo (PSDB), que acaba de encerrar a sua gestão.

O prefeito que assumiu decretou estado de emergência na saúde pública de São Luis.

O ex-prefeito, cuja maior obra é o estádio de futebol que consagra seu nome no aumentativo-Castelão-apesar de filiado ao PSDB, recebeu o apoio da governadora Roseane Sarney no segundo turno, mas perdeu para um político do obscuro PTC.

O Maranhão definha, e as palavras de José Sarney de 1966 perderam-se no vento, enquanto ele cortava a fita de inauguração da exposição “Modernidade no Senado Federal-Presidência de José Sarney”, paga com dinheiro público, na semana passada,em Brasília.

Dinheiro que poderia comprar comida para os doentes do Socorrão.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

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