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15 de jan. de 2013


O banho do secretário Ricardo Murad valeu R$ 30 milhões

Verba foi liberada após secretário entrar no mar de São Luís para incentivar moradores e turistas a nadar; é a 2ª vez que pasta do Turismo destina recursos a obras em pontos turísticos
Wilson Lima - iG
O Ministério do Turismo destinou aproximadamente R$ 30 milhões para obras de saneamento e limpeza nas praias de São Luís, capital do Maranhão. O repasse federal, contudo, não se atenta ao fato de que laudos de balneabilidade da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema), expedidos desde o final de 2012 pelo Laboratório Central do Maranhão (Lacen), apontam que as praias ludovicenses não estão poluídas.
Ao Ministério Público Federal (MPF) do Maranhão, o governo do Estado informou que houve “melhorias nas condições de balneabilidade” das praias de São Luís nos últimos meses. Em comunicado oficial para a população, o Executivo disse no ano passado que, dos 18 quilômetros da orla da capital maranhense, “apenas 300 metros” estariam impróprios para o banho. Esse trecho é correspondente à desembocadura de cinco pequenos rios. O próprio secretário de Saúde do Maranhão, Ricardo Murad, cunhado da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, fez uma campanha em outubro do ano passado incentivando banhistas a frequentar a orla de São Luís.
“Com a adoção do padrão de análise estabelecido pelo Lacen em restrita colaboração do corpo técnico da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo), foi iniciada uma nova fase de monitoramento. Detectou-se, então, que a orla de São Luís está própria para banho”, informou o governo do Estado em outubro do ano passado. O convênio entre o governo do Maranhão e o Ministério do Turismo foi assinado cerca de dois meses depois, em 4 de dezembro do ano passado.
O Estado já executa obras de saneamento em São Luís, desde julho, com o objetivo justamente de evitar a poluição das praias na capital maranhense. Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), os investimentos nessas obras chegam a R$ 756 milhões, repassados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O valor é 25 vezes maior que os recursos destinados pelo Ministério do Turismo.
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão, de 12 pontos de análise da qualidade da água da orla de São Luís, apenas um foi considerado impróprio para banho em janeiro deste ano. Durante novembro e dezembro não foram detectados pontos de poluição em São Luís. A única ressalva dos laudos de balneabilidade do Estado dizem respeito a nascentes de cinco rios que deságuam na orla. Essas nascentes, equivalentes a um trecho de 300 metros de uma orla de 18 quilômetros, foram interditadas.
Dos R$ 30 milhões destinados pelo Ministério do Turismo ao Maranhão, R$ 10 milhões já foram liberados. A pasta informou, por meio de nota, que nas ações estruturantes também estão obras de “prevenção da poluição/repoluição das áreas litorâneas”. “A aprovação do projeto se deu mediante apresentação do pleito, pelo governo do Estado, atendendo a todos os critérios e documentação exigidos pelo governo federal”. A Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) explicou que esses R$ 10 milhões serão aplicados na despoluição de três rios que deságuam nas praias de São Luís. Os demais serão investidos na despoluição dos outros dois rios considerados interditados.
Polêmica
O MPF, no entanto, questionou a metodologia que foi adotada pelo governo do Estado no final do ano passado para aferir a poluição das praias. Em 1998, o MPF impetrou uma ação civil pública pedindo a limpeza das praias de São Luís e, em 2008, a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) foi condenada a executar a despoluição da orla. Mas para o MPF, não houve intervenções que mudassem qualquer quadro.
Em ofício encaminhado à 8ª Vara Federal, o procurador Alexandre Soares, questiona a metodologia de aferição de balneabilidade que foi adotada no final do ano passado pelo governo do Estado. Segundo ele, de 26 pontos, o Estado passou a considerar apenas 12 pontos. Descartando os locais considerados mais críticos. A mudança de metodologia, conforme o governo do Estado, ocorreu após a intervenção de técnicos da Cetesb.
“Os pontos analisados não correspondem aos de maior frequência da população, o que ocorre próximo aos bares e clubes de reggae situados nessa faixa de praia. Portanto, passou-se a falsa ideia à população de que tudo estaria bem”, ressaltou Soares.
Um dos líderes da oposição na Assembleia Legislativa do Maranhão, o deputado Ubirajara do Pindaré (PT), classificou como mentirosas as informações do governo do Estado. “Eu não acredito que as praias estejam limpas. Mas o governo está vivendo uma contradição ao não se ater ao fato de pedir dinheiro ao Ministério do Turismo para limpar as praias. Alguma coisa não é verdadeira. Mas se o governo diz que as praias estão limpas, isso no mínimo é um risco para a saúde pública”, criticou.
É a segunda vez que o Ministério do Turismo libera recursos para obras de infraestrutura de responsabilidade do governo do Estado. Em 2011, a pasta, cujo titular Gastão Vieira (PMDB) é aliado da governadora Roseana Sarney (PMDB), liberou R$ 20 milhões para a construção de uma avenida de aproximadamente sete quilômetros.
A construção da avenida, chamada “Via Expressa”, foi uma promessa de Roseana durante as eleições de 2010. Iniciada em julho de 2011, a via deveria ter sido concluída em setembro do ano passado, quando São Luís comemorou 400 anos. Apenas um trecho de pouco mais de três quilômetros via foi entregue. O Ministério do Turismo alegou na época que a avenida, embora não ligue nenhum ponto turístico de São Luís, iria ajudar no desenvolvimento turístico da cidade.


Foi protocolada na Vara da Fazenda Pública de Imperatriz, segunda-feira (14), uma Ação Civil Pública do Ministério Público do Maranhão contra um Ato Administrativo da Unidade Regional de Educação de Imperatriz que limita o ingresso de estudantes no ensino médio.

A ação do MPMA visa assegurar a manutenção do Ensino Médio Regular, nos períodos noturno e diurno na rede pública estadual de Imperatriz. Assim, os alunos não serão privados do direto fundamental à educação, que é dever do estado.

De acordo com a portaria nº 001/13, os estudantes maiores de 18 anos só poderiam realizar matrícula em escolas estaduais, em Imperatriz, na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos), que dispõe de vagas apenas para o período noturno. A portaria também prejudica alunos de 15 a 17 anos, que só poderiam cursar o ensino médio nos períodos matutino e vespertino.

Segundo o promotor de justiça de Meio Ambiente e Educação de Imperatriz, Jadilson Cirqueira, esse ato viola os direitos do cidadão. "A EJA é uma modalidade da educação básica destinada aos jovens e adultos que não tiveram acesso ou não concluíram os estudos no ensino fundamental e no ensino médio. Houve, portanto, impedimento a qualquer cidadão que pretenda iniciar e concluir o ensino médio regular, normal, em três anos letivos". Conforme a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), o cidadão tem o direito de escolher qual modalidade de ensino médio quer cursar.

Outro problema é a redução do número de vagas. Isso porque algumas escolas não serão contempladas pelo EJA e, mesmo assim, não oferecerão vagas noturnas para iniciantes. O promotor entende que essa decisão pode causar danos irreparáveis a vários alunos. "A exclusão dessa oferta pode criar enorme desigualdade social, obrigando que os menos favorecidos financeiramente, jamais concluam seus estudos, ante a inevitável opção de deixar de trabalhar ou deixar de estudar", afirma Cirqueira.


Delegacia de Miranda do Norte revela como anda a segurança do Estado
A juíza Samira Barros Heluy, titular da 2ª Vara da Comarca de Itapecuru-Mirim, determinou a interdição imediata das celas da Delegacia de Polícia Civil de Miranda do Norte, Termo Judiciário. A interdição serve, inclusive, para os procedimentos necessários de lavratura da prisão em flagrante e vai perdurar até que sejam feitas as adaptações necessárias.

Além da interdição, a magistrada fixou o prazo de 24 horas, a contar da data da notificação, para que a Secretaria de Estado da Segurança Pública proceda à transferência dos presos que se encontram recolhidos na citada delegacia para outra unidade prisional.

Para decretar a interdição, a juíza levou em consideração diversos itens, entre os quais o fato de que as quatro celas da Delegacia de Polícia Civil de Miranda do Norte abrigam cidadãos em local insalubre, não apresentando qualquer condição para a saudável sobrevivência humana. O documento frisa alguns aspectos da cela na qual fica a maioria dos presos, situada no fundo do quintal da delegacia, em área com aglomeração de urubus. Esses fatos foram constatados após a inspeção judicial realizada pela magistrada.

Ela descreveu, na Portaria, que a escuridão prejudica, por parte dos visitantes, a visualização da área interna do cárcere e dos próprios presos; a quantidade de lixo acumulado; bem como o forte e desagradável odor, principalmente de fezes e urina.

Ainda durante a inspeção, foram observados outros pontos negativos, como o excesso de calor, provocado pela inexistência de entrada de ar natural e artificial; a acomodação de presos diretamente no chão molhado e sujo, diante da inexistência de redes e colchões; a ausência de fornecimento de água potável, limitando-se o Governo do Estado do Maranhão a fornecer água de torneira imprópria para o consumo humano.


Prefeito Edivaldo Holanda com procuradores
O prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior e a procuradora-geral de Justiça, Regina Lúcia de Almeida Rocha, firmaram ontem (14) convênio de cooperação entre o Ministério Público e a Secretaria Municipal da Fazenda, visando a transparência da administração e o combate a corrupção.

A solenidade aconteceu no gabinete do prefeito e dela participaram os procuradores de Justiça Suvamy Vivekananda Meireles (subprocurador-geral para Assuntos Jurídicos) e Terezinha de Jesus Guerreiro (subprocuradora-geral para Assuntos Administrativos).

“É mais uma medida de grande importância que reafirma o nosso compromisso de fazer um governo sério, probo e comprometido com a transparência de seus atos, no qual, volto a dizer, a corrupção será vista como um crime hediondo e terá tolerância zero na nossa gestão”, afirmou o prefeito Edivaldo, ao ressaltar que uma das orientações dada a todos os seus secretários é de trabalharem “alinhados” com o Ministério Público.

A iniciativa de parceria, proposta pelo Ministério Público Estadual, tem por objeto a liberação de consulta a base de dados e visualização do cadastro de ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) por servidores e membros do MPE.

Estiverem presentes no ato o procurador-geral do Município, Marcos Braid, e o controlador-geral do Município, Delcio Rodrigues.

“A providência visa à prevenção e combate a lavagem de dinheiro, corrupção e sonegação fiscal, através do constante acompanhamento das finanças do município”, explicou Marcos Braid.

COMISSÃO

No último dia 10, o procurador-geral do Município, Marcos Braid, acompanhado do adjunto, Domerval Alves Moreno Neto, estiveram reunidos com a procuradora-geral de Justiça, Regina Lúcia de Almeida Rocha, para uma visita institucional. Além de estreitar relações entre os órgãos, foi apresentada a preocupação com relação ao caos em que foi encontrada a Prefeitura de São Luís.

Marcos Braid informou naquela oportunidade à procuradora-geral de Justiça que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior assinou decreto determinando a criação de uma comissão de investigação que vai atuar em todas as pastas, que será presidida pela Procuradoria Geral do Município e integrada por cinco procuradores que já foram destacados para a Secretaria Municipal de Saúde, com dois controladores.

A equipe fará uma análise regular de todos os contratos firmados e/ou assinados na gestão anterior. Já foi feito contato com a Secretaria Municipal da Fazenda (Semfaz) para que esta faça uma relação com todos os fornecedores do município, bem como proceda ao levantamento dos extratos.

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