“O cara tá avisado, já”, responde o
presidente do Senado a um ex-servidor do Palácio que tentava promoção na
Infraero, de acordo com grampo da PF. O problema é que esse ex-servidor
é acusado de facilitar a entrada de mercadorias contrabandeadas para a
quadrilha do bicheiro
Ex-porteiro da Presidência pedia, segundo a PF, interferência de Sarney para se tornar superintentende da Infraero
Nas demais conversas em que Sarney é mencionado, outros membros da
quadrilha de Cachoeira conversam sobre um método de incineração de lixo
de tecnologia da Alemanha. E dizem que “o pessoal do Sarney” teria
interesse em comprar a parte deles no negócio.
Em nota ao Congresso em Foco, o presidente do Senado
disse que o pedido de promoção de Ferreirinha “não foi atendido” pela
Infraero. Mesmo questionado especificamente sobre isso, a assessoria de
Sarney não responde na nota se ele sabia das ligações de Ferreirinha com
o grupo de Cachoeira, embora, em conversas com a reportagem, seus
assessores neguem essa possibilidade. Além do próprio Sarney, são
citados nos grampos o deputado federal Sarney Filho (PV-MA) e Adriano
Sarney, neto do presidente do Senado. Eles aparecem nos grampos sobre
sobre lixo. Sarney nega que sua família tenha negócios no setor de
resíduos sólidos. Também negam qualquer envolvimento com as pessoas do
grupo de Cachoeira que são flagradas nas conversas.
Porteiro superintendente
De acordo com Sarney, Ferreirinha trabalhou com ele como porteiro no
Palácio do Planalto durante seu mandato presidencial (1985-1990). Estava
cedido pela Infraero. Os grampos da PF mostram uma conversa entre ele,
que vinha sendo monitorado por fazer parte do esquema de Cachoeira, com
Sarney no dia 31 de março de 2011, às 11h37. Ferreirinha fala primeiro
com um assessor de Sarney chamado Vanderlei, que passa o telefone para o
próprio presidente do Senado. O ex-porteiro presidencial reclama que
sua promoção não saiu. E menciona mudanças nos aeroportos de Brasília e
do Rio de Janeiro. Sarney responde: “Mas o cara tá avisado, já”. Não se
sabe quem seja “o cara”.
Em um diálogo anterior, de 18 de março de 2011, Ferreirinha conversa
com o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Maias de Araújo, o Dadá,
araponga que fazia trabalhos de espionagem para o esquema de Cachoeira.
Na conversa, eles tratam da liberação de mercadorias no aeroporto de
Brasília. De acordo com o juiz da 11ª Vara Federal em Goiânia, Paulo
Augusto Lima, há indícios de que Raimundo Costa prestava o serviço de
facilitar a entrada de contrabando para o grupo de Cachoeira “mediante
vantagem”.
No meio da conversa, os dois terminam por falar em José Sarney.
Ferreirinha diz que o presidente do Senado á havia conversado com
“Meirelles”. A PF supõe que possa ser o ex-presidente do Banco Central
Henrique Meirelles). É porque, na sequência, fala-se que Meirelles pediu
para Sarney procurar Gustavo do Vale, ex-diretor do BC na gestão de
Meirelles e atual presidente da Infraero. Para a PF, o objetivo era
“aparentemente indicar Raimundo Costa Ferreira Neto”, um ex-porteiro da
Presidência da República, para uma Superintendência Regional” da
Infraero.
Na nota, Sarney não respondeu se conversou com “Meirelles” sobre a
promoção de Ferreirinha. O ex-presidente do Banco Central não retornou
os contatos feitos com seus assessores. Hoje, ele é presidente da
J&F, holding do grupo JBS, que recentemente comprou a empreiteira
Delta Construções, também envolvida com Cachoeira.
Sarney não foi, porém, a única tentativa de Ferreirinha para tentar a
promoção. Um dia depois da conversa com Sarney, ele ligou, o dia 1º de
abril de 2011, para o ex-diretor da Infraero Rogério Bazelatti. Ele
comenta que a nomeação não tenha sido. “Eu fui com o véio, né?”, diz
Ferreirinha, provavelmente referindo-se ao presidente do Senado.
Bazelati responde: “Você foi no cargo errado, e não com a pessoa
errada”.
Na sequência da mesma conversa, o ex-porteiro afirma que, apesar dos
reveses, está “tranquilo”, uma vez que tinha “até o apoio até do senador
Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM-GO). Demóstenes hoje está
ameaçado de perder o mandato por conta das evidências do seu
envolvimento com a quadrilha de Cachoeira. “Tem cara até da oposição”,
vangolria-se Ferreirinha.
Demóstenes disse ao site que nunca foi procurado por
Ferreirinha e nunca atendeu nenhum pedido dele. “Se ele disse isso, o
fez para se jactar”, afirmou o senador por meio de seu advogado, Antônio
Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
“Não conheço Sarney”
Procurado pelo Congresso em Foco, Raimundo Costa, o
Ferreirinha, dá uma versão que difere da versão dada em nota pela
assessoria de Sarney. Ele não quis comentar as acusações feitas pela PF,
de desvio de mercadorias para facilitar a atuação da quadrilha de
Cachoeira. “Eles vão ter que provar o que dizem. Não sou eu que tenho
que provar”, afirmou Ferreirinha.
Em seguida, embora apareça em grampo falando com Sarney e o
presidente do Senado admita que houve a conversa, Ferreirinha negou
qualquer relacionamento com o presidente do Senado. “Eu não conheço
Sarney, eu não conheço ninguém”, disse. Ferreirinha, que tem 34 anos de
Infraero, negou ainda ter trabalhado na Presidência da República. Como
se não bastasse a própria conversa com Sarney, há outro grampo em que
ele diz a um interlocutor que, naquele momento, estava chegando na casa
do presidente do Senado.
Ferreirinha pediu que a reportragem procurasse a Infraero e a PF para esclarecer o assunto. O site não conseguiu contato com Gustavo do Vale ou com a assessoria da Infraero.
enado.
Ferreirinha pediu à reportagem que procurasse a Infraero e a PF para esclarecer o assunto. O site não conseguiu contato com Gustavo do Vale ou com a assessoria da Infraero.enado.
rupo de Sarney supostamente quis comprar negócio
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