21 de mai de 2015

Estadão – O ex­-senador Lobão Filho (PMDB­-MA), disse ao Estado que apresentou os sócios da Diamond Mountain Capital Group para seu pai, o ex-­ministro e senador Edison Lobão (PMDB-MA) atendendo a um pedido do advogado Marcio Coutinho. “O Marcio é meu amigo, meu advogado, meu parceiro em muitas coisas há muito tempo. Ele me apresentou esses caras como sendo um grande gestor de fundos privados que queriam investir no setor elétrico, comprar empresas. Eles queriam também antecipar recebíveis de fornecedores da Petrobrás. Diziam ter um fundo de R$ 4 bilhões. Eu disse: Vou apresentá-­los ao ministro e o ministro bota eles para contribuir efetivamente com o setor elétrico”, afirmou Lobão Filho.
Segundo ex-­funcionários, o ex-­ministro era citado pelos donos da empresa como sócio oculto de um fundo da Diamond nas Ilhas Cayman, conhecido paraíso fiscal. Coutinho seria seu representante na empresa. O suposto envolvimento do ex­-ministro é alvo de pedido de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-­feira, o ministro Roberto Barroso deu prazo de 20 dias para Lobão se explicar antes de decidir pela abertura da investigação na Corte.
Confrontado com a informação de que teria levado os sócios da Diamond para acompanha-­lo num voo de helicóptero, o ex-­senador afirmou que é “possível” que isso tenha ocorrido quando conheceu Meiches e Costa em São Luís. “É possível! Vamos pensar nós dois. Chega um cara na sua casa, figurativamente, e diz o seguinte: ­ Eu sou um sheik árabe com 4 bilhões na conta. Você leva ele para tomar água de coco no seu carro ou você não leva? Eu levo bilhões de pessoas para passear (de helicóptero), pessoas que me são apresentadas, que viram meus amigos, alguns que não viram, que meus amigos trazem. Isso é coisa do cotidiano, é normal.”
Conforme Lobão Filho, a informação que ele recebeu de Coutinho é que nenhum negócio da Diamond prosperou. “Se passar na minha frente não sei quem é. Estive com eles uma ou duas vezes no máximo. Eu e meu pai não temos negócio com eles, nunca tivemos.” A Diamond é gestora de um fundo do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários do Correios, que tem R$ 67,5 milhões. O ex­-ministro tem influência política no Postalis.
A assessoria de imprensa da Diamond afirmou, por meio de nota, que os sócios Luiz Meiches e Marcos Costa nunca se reuniram o ex­-senador Lobão Filho. “Eles não se reuniram com Lobão Filho em nenhum local, muito menos num helicóptero.” As viagens para São Luís e “para vários Estados do Nordeste”, afirmaram, tinham o objetivo de analisar opções de instalação de uma planta industrial para uma potencial parceria com uma empresa internacional. “Nas viagens ao Maranhão, não houve nenhum encontro com o senador Lobão Filho.”

Conforme a assessoria da Diamond, os sócios se referem a São Luís como “Terra Santa” como uma “piada porque lá é fabricado o famoso refrigerante Guaraná Jesus.” Sobre ameaças escritas do sócio Marcos Costa ao ex­-dirigente da Diamond Jorge Nurkin, a assessoria afirmou que o processo foi arquivado. O ex­-ministro e senador Edison Lobão nega qualquer relação societária com a Diamond e diz que irá processar quem usou seu nomes indevidamente. O senador disse que recebeu sócios da empresa no gabinete do Ministério para tratar de assuntos do setor energético uma única vez. A Diamond relata dois encontros.
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