7 de abr de 2015

Ricardo usou a secretaria e os hospitais para eleger a filha deputada estadual 
Incomodada com a transparência do governo, a deputada Andrea Murad (PMDB) fez, no final da sessão da última segunda-feira, quando a grande maioria dos parlamentares já haviam se retirado, um discurso furibundo contra a criação da Superintendência de Combate à Corrupção e, numa atitude deselegante apontou o dedo para o presidente Humberto Coutinho, afirmando que a investigação deveria começar pelo presidente da Casa e pelo deputado Othelino Neto. Hoje, no entanto, teve que sair às pressas do plenário para não ter que ouvir as verdades dita pelo líder do governo, deputado Rogério Cafeteira, sobre a gestão do seu pai, o ex-secretário Ricardo Murad, nos seis anos em que esteve a frente da Secretaria de Saúde do Estado.

Como de costume, a parlamentar esbravejou na tribuna, sem apresentar qualquer tipo de prova contra os dois parlamentares e muito contra menos contra o pai do presidente da Caema, Davi Teles, engenheiro José Augusto Teles, que segundo Andrea teria dado um desfalque de R$ 3 milhões durante sua gestão na estatal do saneamento básico. Andrea apontou o dedo para Humberto Coutinho: “Ele (Flávio Dino) devia começar, investigando V. Exª, ele devia começar investigando o deputado Othelino, ele devia começar investigando o Luiz Júnior, devia investigar o Rodrigo Lago, onde foi parar oitenta mil na conta, o pai dele é acusado por diversos crimes. Ele devia investigar o pai do presidente da Caema, que ninguém, até hoje, entendeu por qual razão ele colocou o Davi Telles na Caema. Foi para encobrir os crimes do pai? V. Exas ainda não responderam essas questões” cobrou.

 
A resposta a Andrea veio nesta manhã de terça-feira quando o líder do governo a desafiou a apresentar as razões que a levaram a apontar o dedo para o presidente Humberto Coutinho e para o deputado Othelino. “Eu gostaria que a deputada Andréa Murad, mesmo sem procuração do presidente, declinasse o motivo pelo qual ela acha que o presidente da Casa deve ser investigado. Suscitou também o nome do deputado Othelino Neto e, apesar de também não ter procuração para defendê-lo, acho que ela deveria dizer que motivo ela acha que tem para que esses deputados sejam investigados”, cobrou Rogério Cafeteira. Num das passagens do pronunciamento da deputada, ela destacou que o presidente da Caema, Davi Teles, tinha sido nomeado para proteger supostos desmandos do pai dele quando foi presidente da empresa.

 
“Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta, e infelizmente ela não está presente. O pai dela foi o todo poderoso durante seis anos de mandato, a Caema subordinada a ele, a Secretaria de Saúde, por que ele não fez uma investigação, um processo administrativo. Será que em seis anos ele não teve a capacidade de demonstrar que o ex-presidente tinha cometido algum ilícito? E agora quer fazer mais um factoide querendo criar uma suposta proteção porque, durante seis anos, o pai dela como superior do presidente da Caema não fez uma investigação, não abriu um processo administrativo e não demonstrou os erros do ex-presidente?”, questionou Cafeteira  

 
Rogério esclareceu ainda um outro questionamento da deputada sobre licitações na área de saúde e mais uma vez voltou a colocar a parlamentar no seu devido lugar. “Aqui se vê algumas notícias agora de que existem duas ações na justiça contra o processo licitatório para as OSCPIs que irão tomar conta agora da área de saúde. E aí qual não foi meu espanto, quando eu olho alguns blogs aqui de jornalistas que, inclusive, fazem parte da cobertura e olho a origem das OSCPIs. E olho o senhor Aragão, presidente do PSDC, que tomava conta, do hospital de Monção. V. Exa. conhece bem como foi tratado o hospital de Monção, porque V. Exa. é votado naquele município, então, sabe como foi feito, como eram feitas as seleções para funcionários, para diretores”, observou o líder do governo.


O Deputado Rogério disse ainda que Ricardo Murad era até gentil quando algum deputado levava alguém e pedia uma ajuda: “Secretário Ricardo, esse aqui é um médico competente, trabalhador e tal. Se o senhor pudesse atendê-lo lá no Hospital de Monção”. Sabem o que o deputado Ricardo fazia? Atendia, para logo depois tomar essa pessoa para que o apoiasse eleitoralmente. Então, o deputado Ricardo não precisava nem ir atrás de apoio político, ele pegava dos correligionários e tomava, foi assim que ele conduziu a Secretaria de Saúde. Eu duvido se alguém aqui me desmente, eu duvido se alguém me diz o contrário, porque quase todos os colegas aqui foram vítimas disso.

 
Cafeteira citou o exemplo ocorrido com ele no município de Morros, onde a prefeita votava com ele, mas depois que inaugurou o hospital lá, “adivinhem em quem ela votou no ano seguinte?” O parlamentar lamentou também o fato da deputada tentar fazer joguinho de querer botar na boca do Governador do Estado, Flávio Dino, que a família do médico falecido Luiz Alfredo, ex-diretor do Hospital Geral, teria recebido algum recurso do Estado ilegalmente. “Ao contrário, nunca foi dito isso. Eu olhei atentamente as matérias de alguns jornalistas. O que foi achado lá foi outra coisa. O ICN foi quem cobrou 200 mil reais, como se o doutor Luiz Alfredo tivesse feito cirurgias quando ele já tinha falecido. Se alguém tem que prestar esclarecimentos é o ICN. Esse sim. Como ele botou na planilha dele cirurgias feita por um médico que já tinha falecido?”, enfatizou o líder do governo.
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