7 de abr de 2015

Por: Laryssa Borges
A deputada Cristiane Brasil (PTB) desponta como futura presidente do partido
Veja - Por 21 votos a 4, a Executiva Nacional do Democratas autorizou nesta terça-feira a continuidade das negociações para o processo de fusão com o partido governista PTB, legenda que abriga o senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello, o delator do escândalo do mensalão Roberto Jefferson e que tem assento no primeiro escalão do governo Dilma com o ministro do Desenvolvimento Armando Monteiro.

Com a provável fusão, ainda a ser aprovada pelo Conselho Político e pela Convenção Nacional do DEM, PTB e Democratas passam a ser a quarta bancada tanto na Câmara quanto no Senado, medindo forças diretamente com o PSDB. No processo de unificação das legendas, a presidência da nova sigla deverá ser da deputada federal Cristiane Brasil, filha de Jefferson, enquanto as lideranças da Câmara e do Senado ficariam com indicados do DEM. Apesar do aval da Executiva, oito estados ainda precisam reunir seus representantes para dar continuidade ao processo de fusão.

O DEM, que já foi o maior partido da Câmara durante o governo Fernando Henrique Cardoso, vem perdendo cotidianamente seus quadros e hoje conta com apenas 22 deputados e cinco senadores. O auge da desidratação da sigla ocorreu quando correligionários aproveitaram a criação do PSD pelo ex-prefeito e ministro das Cidades Gilberto Kassab para trocar de legenda sem perder o mandato. Mais recentemente, as articulações, também por Kassab, para a criação do Partido Liberal representaria o tiro de misericórdia contra o DEM, que projetava perder ainda mais filiados que desejavam migrar para a base de apoio ao governo sem colocar em risco os mandatos parlamentares.

Na reunião que chancelou o processo de fusão com o PTB, filiados contrários à unificação das legendas criticaram a proposta de o perfil oposicionista do DEM ser incorporado ao trabalhista PTB. Nos bastidores, porém, o argumento de sobrevivência do Democratas, aliado à possibilidade de conquista de um bom tempo de propaganda de televisão nas eleições, se sobrepôs às discussões sobre um possível conflito de perfis programáticos.

"Lógico que foi uma derrota substancial. Se sobrevivemos há tantos anos e hoje convergimos com o sentimento da população contra o governo Dilma, por que capitular?", questionou o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que votou contra a fusão com o PTB. Ao site de VEJA, o parlamentar indicou que, se consolidada a unificação das siglas, deve deixar o novo partido. "Não tenho como conviver com uma estrutura que não tem nada do ponto de vista doutrinário com o nosso. Essa fusão é 100% inaceitável. É triste ver prevalecer a tese do Lula pelas mãos do meu partido", disse.

"Pela primeira vez esse assunto de fusão entra na ordem do dia oficial do partido. Falta agora a definição de critérios de governança, mas a Executiva chancelou o processo de fusão", disse ao site de VEJA o presidente do DEM José Agripino.
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